A Encarnação de Jesus

Jo 1.14. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

Cristo sempre existiu. Ele, o Pai e o Espírito Santo estiveram na eternidade (Jo 1.1-3). Percebe-se que sua participação é efetiva, em declarar sobre si mesmo a autoridade de ser Deus em sua totalidade (Fp 2.6,7).

          Para satisfazer as exigências, o Salvador deveria contar com duas naturezas: a divina e a humana. Isso acarretaria uma gestação sobrenatural e um nascimento natural, concebido pela vontade de Deus e gerado pelo Espírito Santo (Lc 1.35), representando, assim, o cordeiro sacrificial que tiraria o pecado do mundo (Jo1.29). Este ser, sem a semente humana (espermatozóide), interromperia a maldição hereditária que o pecado propaga desde os primórdios (I Pd 1.18), o que significava que Jesus estaria imune à condenação que a queda promovia a todos os homens da raça humana (Rm 3.23).

Cristo não tinha pecado, era imaculado. Ficou imune ao pecado por intermédio da potencialidade divina, sem se eximir das condições humanas e normais (Hb 5.8). Tinha todas as emoções de uma pessoa normal (Lc 2.52): pensava, raciocinava, sentia.

          A grande briga, na época de Jesus, era a concepção d’Ele ser o Cristo divino (Mc 2.5-7), já que as pessoas o viam como um simples camponês judeu (Mc 6.3).

          O medo dos judaizantes era o de Cristo quebrar os moldes do Reino dos céus baseado na lei (Mt 7.29), o que gerava ciúme e perseguição (Lc 4.29,30).

          Na mentalidade judaica, o Messias viria para restabelecer o regime visível e institucional de Deus. A visão era muito política e pouco espiritual. Tanto que Saulo de Tarso, com sua mentalidade conservadora, não conseguiu discernir de imediato a composição da nova era em Cristo (At 9.4,5).

          Daí os propósitos dessa encarnação, associado aos seus títulos, revelaram as características do seu ser:

– Cristo/Messias: Cristo (grego) é o mesmo que Messias (hebraico) e ambos significam “o ungido”. Sendo então, um título e não um nome próprio. Ele chamou e assumiu essa postura desde seu início ministerial (Lc 4.18).

– Servo sofredor: Servo sofredor é a visão de um homem enviado por Deus para morrer pela humanidade (Is 53.12). Este sofrimento e morte são o ato central de sua vida terrena e de toda história da salvação, ou seja, é sua missão na terra morrer substituindo a humanidade (Mc 10.45).

– Senhor: Era muito significativo esse nome. Isso denotava verdadeira divindade. Dirigir-se a alguém lhe chamando de Senhor (Kyrios), exprimia poder e autoridade total (Mc 16.17). Cristo ressurreto adquire para si esse lugar (Mt 28.19).

– Salvador: Cristo reconcilia o homem a Deus por intermédio de sua cruz. O que era sombra da lei, por causa das ordenanças e figuras sacrificiais do Antigo Testamento, agora em Jesus, se torna realidade. Nasce uma esperança para o homem, que estava com a eternidade comprometida por não haver um mediador a altura para satisfazer às exigências de Deus e liberar salvação aos homens que cressem (Lc 2.11).

– Filho do homem: Supõe a idéia de substituição. “O homem” representando os homens. É uma expressão humanizada que remete à ação do homem com seu semelhante (Mt 25.45), revelando a imagem de Deus, ou seja, demonstrando como o homem deve agir.

– Filho de Deus: Essa expressão era usada para as pessoas comissionadas e especiais a Deus (Mt 3.17). Demonstrava unidade com Jeová (Jo 17.21). Jesus então usará isso para construir a visão de paternidade celestial para os judeus (Mt 6.9).

– Profeta: Esta profissão quase não existia naquela época; o último era João Batista. Esse ofício era difundido para a pregação da vontade de Deus e a vinda do seu Reino. Cristo encarnou essa função por vir com uma nova mensagem (Mc 1.15).

– Sumo sacerdote: Quem estava nesta posição, tinha a função de oferecer sacrifícios em favor do povo. Era a responsabilidade de intermediar a relação entre Deus e os homens, ou seja, levar os pecados do povo até Deus, juntamente com uma oferta para a expiação (cobertura por meio do sangue). Jesus pôs fim ao rito antigo e também consumou em si mesmo o sacrifício, dando abertura ao novo (Hb 7.27).

– Verbo: “Logos” para o judeu não era somente uma palavra concreta percebida pelo ouvido, mas uma revelação divina eterna que exigia compreensão pela fé (Jo 1.14).      O conceito é que Jesus não somente traz a revelação, mas Ele é a revelação (Jo 14.9). Na pessoa d’Ele concentram-se tanto as ações do Pai quanto sua essência (Cl 1.15).

          Esses sãos os motivos da encarnação de Jesus. Por isso, a tradição da igreja cristã é comemorar o nascimento dessa pessoa. Para tanto, escolheram uma data fictícia que é 25 de dezembro. Mas, mais que comemorar, é ter a certeza e a esperança de que este Cristo é um amigo íntimo, que podemos colocar como referencial maior chamando-o de Senhor. 

Pr. Sergio Mascarenhas